Conferência MSF Scientific Days Latin America

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) realiza em 28 de agosto, na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), a conferência MSF Scientific Days Latin America.  A entidade do Rio de Janeiro vai receber debates e painéis de pesquisadores internacionais em saúde sexual e reprodutiva, com enfoque na ação em contextos de crises humanitárias. Será a primeira vez que o evento, que acontece anualmente no Reino Unido desde 2004, terá uma edição para toda América Latina. As inscrições são limitadas e gratuitas.

A conferência ocorre em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a ENSP. Será composta por três mesas de debates com a presença de profissionais de saúde, trabalhadores humanitários, acadêmicos e líderes da comunidade científica de Brasil, Bolívia, México, Líbano, África do Sul e Moçambique. Eles apresentarão painéis, showcases e pesquisas publicadas, além de trocar com o público experiências tanto da atividade acadêmica quanto da atuação clínica.

Os temas em discussão incluem saúde sexual e reprodutiva com foco em homens e meninos, especificidades da atenção de saúde a populações LGBTI+ e a importância do engajamento comunitário no atendimento a pacientes de tuberculose e HIV.

Participam da abertura a diretora-executiva de MSF-Brasil, Ana de Lemos, o vice-presidente de Promoção da Saúde e Atenção à Saúde, Marco Menezes, e a coordenadora do programa Fiopromos da Fiocruz, Luciana Garzoni.

Sobre MSF Scientifc Days Latin America

Desde 2004, a organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) realiza uma conferência anual científica em que trabalhadores humanitários, acadêmicos, profissionais de saúde e outros líderes da comunidade científica e médico-humanitária se reúnem para apresentar pesquisas, showcases, trocar experiências e conhecimento. Em 2019, o MSF Scientific Days ocorreu também no Reino Unido e na Índia. Em 2018, 10 mil pessoas de 102 países participaram do evento (de forma presencial ou online).

SERVIÇO

Data: 28/08/2019

Horário: 8h00 às 17h00

Local: Auditório da ENSP – Fiocruz (Rua Leopoldo Bulhões, 1480 – Manguinhos, Rio de Janeiro)

Inscrições: scientificdays.msf.org.br

Apoio: Fiocruz e ENSP.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

8h – 8h30| Credenciamento

8h30 – 8h50| Abertura

Participantes: Ana de Lemos (Diretora-executiva / MSF-Brasil)Nísia Trindade Lima (Presidente /Fiocruz), Marco Menezes (Vice-presidente de Promoção da Saúde e Atenção à Saúde/Fiocruz)Luciana Garzoni (Coordenadora da Fiopromos/Fiocruz)

8h50 – 10h50| MESA 1: Engajando homens e meninos em programas de saúde reprodutiva: por quê, quando e como?

Palestrantes: Wafaa Chreif (Obstetriz Supervisora/MSF-Líbano)Patricia Dumazert (Gerente de Atividades em Saúde Mental/MSF-Bolívia) e Suzana Cavenaghi (Consultora em Demografia e Saúde Reprodutiva e ex-pesquisadora e professora do Programa de Mestrado e Doutorado em População, Terrítório e Estatísticas Públicas, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE))

Moderador:

Dra. Jennifer Marx (Especialista em Saúde de Adolescentes/MSF Brasil)

Descrição: Em 1994, a Conferência Internacional de População e Desenvolvimento já chamava atenção para a necessidade da inclusão de homens e meninos em programas de saúde reprodutiva. Não somente os homens têm influência direta e indireta sobre o uso de métodos contraceptivos, como também impactam nas decisões sobre tamanho ideal de família, especialmente em sociedades altamente patriarcais. Inúmeras pesquisas já revelaram como homens e mulheres têm intenções reprodutivas distintas e níveis diferentes de conhecimento e aceitação de métodos contraceptivos, inclusive em um mesmo casal. Entretanto, em muitas sociedades, a própria discussão sobre planejamento familiar entre parceiros é vista como inadequada. Assim, em quais situações é importante engajar homens e meninos em programas de saúde reprodutiva e em quais deve-se focar exclusivamente nas mulheres? Quais métodos são efetivos para trazer pessoas do sexo masculino para a discussão sobre planejamento familiar? É o bastante engajá-los sem desafiar normativas de gênero altamente desiguais?

10h50 – 11h15| Coffee break

11h15 – 13h15| MESA 2: Transformando os programas de atenção para HIV e tuberculose através do engajamento comunitário

Palestrantes: Mbali Beryl Jiyane (Analista de Redes Sociais/MSF-África do Sul)Maria Eduarda Aguiar (Presidente do Grupo ‘Pela Vida’ Brasil) e Leticia Ikeda (Professora da Escola de Saúde da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos e especialista em saúde – Secretaria Estadual de Saúde/RS, Brasil)

Moderador:

Valeska Antunes (Médica do Consultório na Rua, Brasil)

Descrição: Diversos estudos demostram que as estratégias de engajamento comunitário desempenham um papel determinante na prevenção, detecção e manejo de vários tipos de doenças. No caso especifico do HIV e da tuberculose, as abordagens centradas nas pessoas são bem reconhecidas pelos programas de atenção, que proporcionam um maior grau de autonomia, adesão aos cuidados e satisfação com o regime de tratamento de longo prazo. Ainda hoje, fatores como a desigualdade, o estigma social e a pobreza são barreiras importantes para o envolvimento efetivo das pessoas afetadas por HIV e tuberculose. Isso faz com que os esforços atuais em saúde pública se concentrem na avaliação de modelos e práticas inovadoras, sustentáveis e replicáveis, que promovam a participação comunitária, integrando o uso dos avanços tecnológicos recentes.

13h15 – 14h15| Almoço

14h15 – 16h15h| MESA 3: Serviços de saúde e a população LGBTI+: um debate sobre acesso e desconhecimento

Palestrantes: Farisai Gamariel (Professora da Universidade Católica de Moçambique e ex-Assistente Operacional de Investigação e Apoio ao Paciente / MSF Moçambique), Néstor Rubiano (Vice-coordenador Médico e Referencia em Saúde Mental/MSF México) e Gilmara Cunha (Diretora Geral do Grupo Conexão G de Cidadania LGBT Moradoras de Favelas, Brasil)

Moderador:

Brenda Hoagland (Médica Infectologista do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas/Fiocruz)

Descrição: Serviços de saúde e a população LGBTI+: um debate sobre acesso e desconhecimento

A discriminação contra a população LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis, intersexuais +) por parte de profissionais da área da saúde em espaços de atendimento é uma realidade já reconhecida por muitas organizações – como a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), através da resolução dos seus Estados-membros sobre saúde LGBT. O preconceito e a falta de informação levam a enormes desafios de acesso dessa população aos serviços e a grandes riscos de um atendimento abusivo e de má qualidade. A atenção à saúde restrita a políticas parciais de combate ao HIV/Aids e a um olhar que encara como doença temas da população LGBTI+ ainda são constantes. A sociedade civil vem lutando para reverter esse cenário e para que sejam amplamente reconhecidas as demandas próprias dessa população. Assim, é necessário o aprofundamento de debates relacionados às especificidades da população LGBTI+, bem como às possíveis estratégias a serem usadas para reverter o distanciamento entre ela e os serviços de saúde.

16h15 – 16h30| Encerramento

Palestrante: Marcela Allheimen (Diretora da Unidade Médica Brasileira – BRAMU/MSF Brasil)

16h30 – 17h| Networking

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