Síntese e encaminhamentos do GT IST, HIV/Aids no 8º CBCSHS

O GT IST, HIV/AIDS, Políticas e Subjetividades está em sua terceira edição, atraindo gradativamente mais participantes desde seu início, em 2013. Nesta edição, notamos uma expressiva diversidade regional, temática, teórica e metodológica, com inserção diversificada de seus pesquisadores, em diferentes níveis de formação e atuação.

Os temais mais presentes nesta edição giraram em torno das políticas públicas e redes de atenção e proteção social; desafios dos atores da prevenção e da assistência; ativismos, intersecções e subjetividades. Observamos ainda, nessa edição, ampliação de trabalhos acadêmicos e relatos de experiência de profissionais de saúde e de ativistas sobre HTLV, sífilis, hepatites virais.

Além do grupo de trabalho que reuniu em três dias quase 60 estudiosos, pudemos nos reunir com alguns desses pesquisadores e com outros congressistas numa oficina de produção de materiais educativos pensados como retorno/devolutiva de resultados de pesquisas.

O GT também resultou na formação de uma rede de pesquisadores do subcampo CSHS com movimentos sociais, profissionais de saúde e gestores. O principal objetivo da “e-redaids” será o compartilhamento e trocas inter-regionais e intersetoriais, bem como a promoção e o fortalecimento do debate sobre IST/HIV/AIDS em diversos espaços, sobretudo no contexto brasileiro atual de apagamento simbólico das ciências sociais e humanas.

Por fim, destacamos a qualidade e repercussão da mesa proposta pelo nosso GT em parceria com o GT de CSHS, Adoecimentos e Sofrimentos de longa duração, coordenado por Lucas Mello, Reni Barsaglini e Edemilson Campos. Atraindo mais de cem congressistas na plateia, a mesa contou com duas representantes do movimento social, Aline Ferreira da Coletiva Loka do Efavirenz, e Jo Menezes, da ONG Gestos, com o pesquisador de Saúde Coletiva Marcelo Castellanos, da UFBA, e com pesquisador e militante do movimento de luta contra a AIDS, professor Richard Parker.

Concluindo, esse debate reafirmou que o enfrentamento da AIDS no Brasil significa confrontar a retórica do otimismo materializada nas estratégias biomédicas de prevenção em que agências internacionais, como a OMS, insistem na proposição de metas ilusórias acerca do suposto fim da AIDS até 2030, criando uma “cortina de fumaça”, que vem sendo reproduzida acriticamente no Brasil. Soma-se a este quadro, como o professor Parker bem sinalizou, a gravidade do apagamento da AIDS no nome do antigo Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST/HIV/AIDS e hepatites virais. Por outro lado, o enfrentamento da AIDS significa também compreender as múltiplas expressões do sofrimento decorrentes da crescente precarização da assistência e cuidado das pessoas vivendo com HIV/AIDS. Nesse sentido, pesquisadores de CSHS, profissionais de saúde, ativistas e gestores estamos todos e todas convocados a compreender os desafios atuais colocados pela epidemia de HIV/AIDS e contribuir com a continuidade de suas respostas.

Ivia Maksud (IFF), Claudia Mora (IMS/UERJ), Mónica Franch (UFPA) e Felipe Rios (UFPB) – coordenadores do GT IST/HIV/AIDS, Políticas e Subjetividades.

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