Abrasco discute quarentena diante da pandemia no Brasil e na Itália

Texto Bruno C. Dias | Abrasco

O caos provocado pelo coronavírus na Itália expôs a gravidade que a explosão da pandemia pode provocar nos países que não estiverem devidamente preparados. A situação serviu de alerta para autoridades e população brasileira e sendo amplamente debatida na mídia, com participação da Abrasco em diversas matérias.

José Cássio de Moraes,  integrante da Comissão de Epidemiologia da Abrasco e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Saúde de São Paulo, concedeu entrevista ao jornalista Leonardo Desideri, do jornal Gazeta do Povo, na qual explicou diferenças e similaridades entre as populações de ambos os países e quais situações  vivenciadas na Europa devem orientar as autoridades sanitárias e população brasileira.

“Não tem nenhuma medida mágica que evite a circulação de uma doença de transmissão respiratória”, explicou José Cássio, ressaltando que é necessário haver um equilíbrio entre alerta e pânico, para não gerar uma sobrecarga maior ainda no sistema de saúde, e que pode inviabilizar o atendimento dos grupos mais suscetíveis.

Para o epidemiologista, o mais importante no atual momento é minimizar os riscos relacionados aos grupos mais suscetíveis – idosos e pessoas com enfermidades graves. Quanto menor a circulação de pessoas melhor,  mas ele ressaltou que segmentos inteiros da sociedade jogados na informalidade necessitam das ruas para sua subsistência, o que impede a efetividade da quarentena como única medida preventiva. “As pessoas não vão ficar em casa, provavelmente. Vão circular, vão fazer outras atividades. A gente tem, hoje, uma economia informal muito grande, e essas pessoas não vão respeitar a restrição, porque, se não forem vender seus produtos, não têm uma renda”, afirma ele – um dilema que deve ser respondido pelo Poder Público.

Participam também da matéria Maria Beatriz Dias, infectologista do Hospital Sírio Libanês e Jamal Suleiman, infectologista do Hospital Emílio Ribas. Confira a matéria na publicação original.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *