CAPES PrInt no IMS

Plano de Internacionalização do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva (2018-2022)

Produção de Conhecimento para Impulsionar a Agenda 2030 (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável)

Contexto
O Brasil tem um papel importante a desempenhar na promoção da Agenda 2030, considerando os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). As inovações brasileiras em termos de políticas públicas são vistas como contribuições para a integração das dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável mundial. Apesar da existência de uma Comissão Nacional dos ODS, que conta com seu próprio Plano de Ação, a atual crise política e econômica enfrentada no país representa um desafio à adesão aos ODS. Assim, as atividades de cooperação internacional na área interdisciplinar da Saúde Coletiva representam uma oportunidade ímpar de construção de conhecimento para impulsionar a agenda 2030.

Relevância
A formulação dos ODS envolve o conceito crucial de indivisibilidade das dimensões econômicas, sociais e ambientais do desenvolvimento sustentável. As metas específicas do Objetivo 3 (Saúde e Bem-Estar), melhoria para todos, com redução das desigualdades, abrem um novo capítulo na história da saúde das populações. A área interdisciplinar da Saúde Coletiva representa um importante pilar na construção de conhecimento para impulsionar a agenda 2030, abrangendo: (1) a produção de dados e o refinamento de ferramentas metodológicas da epidemiologia e bioestatística; (2) a análise de variáveis e indicadores macro- e microeconômicos relativos ao acesso à saúde e bem-estar e à força de trabalho em saúde; (3) estudos sócio antropológicos sobre processos políticos, redes sócio técnicas e produção de subjetividades em torno das noções de saúde, bem-estar e direitos.

Proposta
Para a produção de dados e o refinamento de ferramentas metodológicas da epidemiologia e bioestatística, este projeto busca utilizar-se de ferramentas robustas para o estabelecimento de inferências causais, contemplando a análise de estudos longitudinais envolvendo tópicos diversos relacionados às metas do Objetivo 3 das ODS, como: efeitos de políticas de austeridade em saúde, consumo alimentar, desigualdades socioambientais, estilo de vida e saúde mental e seus efeitos em dados de morbidade e mortalidade. Métodos estatísticos robustos serão empregados para estes propósitos, envolvendo modelagem de equações estruturais, análise fatorial, modelos de simulação de dados e novas técnicas de séries temporais propostas recentemente, como ITS (Interrupted Time Series).

Para a análise de variáveis indicadores macro- e microeconômicos relativos ao acesso à saúde e bem-estar e à força de trabalho em saúde serão desenvolvidos e utilizados instrumentos e mecanismos com foco em modelos e ferramentas econômicas para estimativa de necessidade, demanda e oferta da força de trabalho em saúde, medidas e monitoramento de desigualdades dos recursos humanos em saúde, dentre outros. Nessa linha de trabalho e pesquisa objetiva-se contribuir para a análise da distribuição e dos incentivos necessários ao aumento da produtividade e desempenho do sistema de saúde e de sua força de trabalho em saúde, incluindo as exigências de habilidades e competências, centrais no desenvolvimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), de melhoria da saúde para todos, com redução das desigualdades.

No que tange aos estudos sócio antropológicos sobre processos políticos, redes sócio técnicas e produção de subjetividades em torno das noções de saúde, bem-estar e direitos, as abordagens da área das ciências humanas, sociais e saúde desenvolvidas contemplam estudos principalmente qualitativos que abrangem: a análise documental, a etnografia, bem como entrevistas, grupos focais e histórias de vida nos e dos diversos âmbitos e processos onde se gestam direitos e políticas de saúde; categorias diagnósticas; expertises profissionais e leigas sobre processos de saúde-doença; itinerários terapêuticos; produção; circulação e uso de medicamentos, tecnologias e substâncias, entre outros. Nesses âmbitos e processos dá-se atenção particular para à produção interseccional de diferenças e hierarquias de raça/cor, classe, gênero/sexualidade, idade e geração, bem como a movimentos sociais pro- e anti-direitos.

Nessas abordagens teórico-metodológicas o Brasil desfruta de uma posição de excelência de nível mundial e o Instituto de Medicina Social da UERJ possui um histórico de parcerias que os intercâmbios e colaborações promovidas pelo Programa CAPES-PRINT irão aprimorar.

Metas
Serão capacitados 11 docentes e 25 discentes, realizadas 30 missões de trabalho, ampliadas as parcerias internacionais e as publicações internacionais e incorporada a temática dos ODS nos currículos do programa de pós-graduação em saúde coletiva.